• Dr. André Inácio

Lesão do Ligamento Cruzado Anterior

Atualizado: 31 de Mai de 2019

Esta é uma das mais comuns lesões no joelho em atletas.

O LIGAMENTO CRUZADO ANTERIOR (LCA) é um dos mais importantes ligamentos do joelho, atuando principalmente na estabilização anterior do joelho. Sua principal função é a restrição da translação anterior da tíbia em relação ao fêmur e, secundariamente, ainda atua no controle rotacional da articulação do joelho. A lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) é uma das lesões ligamentares mais frequentes do JOELHO. A exata incidência da lesão do LCA ainda é desconhecida no nosso meio. Estima-se que em torno de 200 mil novas lesões acontecem a cada ano nos Estados Unidos ocasionando, aproximadamente, 100 mil novas cirurgias de reconstrução do ligamento cruzado anterior a cada ano.


Fatores Predisponentes

   A lesão do LCA ocorre mais comumente em MULHERES, provavelmente por peculiaridades anatômicas, hormonais e pela menor força muscular. Lesões BILATERAIS ocorrem em aproximadamente 4% dos pacientes. Pacientes participantes de esportes com salto como vôlei e basquete ou então que envolvam o mecanismo de pivot como o futebol tem um maior risco de lesão do LCA.

A lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) é uma das lesões ligamentares mais frequentes do JOELHO.

Mecanismo de Lesão


A RUPTURA do ligamento cruzado anterior ocorre devido a lesões TORCIONAIS do joelho geralmente sem contato físico durante a prática esportiva. Movimentos como paradas bruscas com ROTAÇÃO DO CORPO sobre o joelho com o pé preso ao solo ou então hiperextensão do joelho são mecanismos que podem levar à ruptura do LCA. Traumas não esportivos como acidentes automobilísticos e acidentes domésticos também podem levar à lesão deste ligamento.


Consequências à Saúde


Frente à complexa anatomia e comportamento biomecânico do LCA, as rupturas do ligamento cruzado anterior ocasionam importantes ALTERAÇÕES DO FUNCIONAMENTO NORMAL do joelho evidenciadas principalmente durante atividades de alta demanda funcional dos membros inferiores. Essas alterações na cinemática normal do joelho podem ser consideradas como um dos principais fatores relacionados ao desenvolvimento de doença degenerativa articular nos pacientes com deficiência do ligamento cruzado anterior. A INSTABILIDADE do joelho ocasiona o aparecimento de lesões meniscais, lesões condrais, danos aos estabilizadores secundários do joelho e, tardiamente, o desenvolvimento de OSTEOARTROSE do joelho.


Diagnóstico


 O diagnóstico das lesões do LCA é baseado na HISTÓRIA CLÍNICA e no EXAME FÍSICO, auxiliado por exames radiológicos e por exame de ressonância nuclear magnética. Atualmente, a RESSONÂNCIA MAGNÉTICA (Fig. 3) é o exame de escolha para o diagnóstico das rupturas do LCA. Normalmente os pacientes sabem exatamente quando rompeu o ligamento, 33% dos pacientes relatam ter ouvido um estalo e dor na hora da lesão. Quando a lesão ocorre durante alguma atividade física, o paciente é incapaz de terminar o exercício por causa da dor e da instabilidade no joelho. Os principais sintomas relatados são a dor, a instabilidade e o edema, que acontece principalmente nas primeiras horas após a lesão.


Tratamento


O tratamento das lesões do ligamento cruzado anterior é dividido em tratamento CONSERVADOR ou tratamento CIRÚRGICO. Baseado no conhecimento atual parece-nos claro que nem todos pacientes necessitam do tratamento cirúrgico. Alguns pacientes com baixa demanda funcional podem viver razoavelmente bem, mesmo tendo joelhos com deficiência do LCA. Ainda não há na literatura um consenso sobre quais são os critérios para a seleção de pacientes que se beneficiariam ou não da cirurgia. Embasado na importância do LCA na cinemática normal do joelho, atualmente o tratamento cirúrgico é o tratamento de escolha para as rupturas do LCA.

O tratamento CIRÚRGICO é indicado principalmente aos indivíduos com alta demanda funcional dos membros inferiores, como esportistas, trabalhadores braçais e indivíduos com instabilidade sintomática do joelho. A idade, isoladamente, não pode ser um fator determinante da indicação ou não da cirurgia.

Várias técnicas têm sido descritas para o tratamento cirúrgico das lesões do LCA. Todas elas visam RECONSTRUIR UM NOVO LIGAMENTO com uma função semelhante ao LCA nativo. Dentre os procedimentos cirúrgicos amplamente utilizados, destacamos a reconstrução do LCA usando enxerto autólogo do TENDÃO PATELAR e a reconstrução do LCA usando enxerto autólogo dos TENDÕES FLEXORES (grácil e semitendíneo). A cirurgia deve ser realizada precocemente assim que o paciente readquira o controle completo da musculatura do membro inferior, o edema tenha se resolvido e o arco de movimento esteja completo. Desta forma evitamos o aparecimento de lesões associadas como lesões meniscais e de cartilagem bem como facilitamos a reabilitação. Classicamente, a reconstrução do ligamento cruzando anterior usando tendão patelar e a reconstrução do LCA usando tendões flexores autólogos são os procedimentos de escolha para os pacientes candidatos a cirúrgica da reconstrução do LCA.


Ambas as técnicas são altamente reprodutíveis e possuem excelentes e bons resultados na grande maioria dos casos. Vários estudos comparam a cirurgia de reconstrução usando tendão patelar com a técnica utilizando tendões flexores e concluíram que ambas as técnicas tem RESULTADOS CLÍNICOS SEMELHANTES. A cirurgia de reconstrução do LCA usando tendões flexores em banda única apresenta bons e excelentes resultados em mais de 80%dos pacientes. A menor morbidade no sítio doador do enxerto tendíneo, menos sintomas fêmoro-patelares, uma maior conformidade enxerto túnel e os mesmos resultados referentes à estabilização pós-operatória de outras técnicas, tem ocasionado a crescente popularização da técnica com tendões flexores como cirurgia de reconstrução do LCA.


Reabilitação


A recuperação pós-operatória deverá acontecer de maneira criteriosa e progressiva e tem duração média de 6-8 meses, período este que varia individualmente. O paciente fica internado 1 a 2 dias após a cirurgia e deixa o hospital caminhando com auxílio de duas muletas. Com 15 dias os pontos são retirados e o paciente é então encaminhado para fisioterapia onde se prioriza de inicio exercícios para recuperação da amplitude de movimento da articulação.


Nas primeiras fases da reabilitação, as prioridades são: alívio da dor, proteção da articulação e ganho de movimento do joelho. A COLABORAÇÃO E PACIÊNCIA DO PACIENTE é sempre muito importante. Progressivamente o tratamento fisioterápico é intensificado com exercícios para reforço muscular e propriocepção e então o paciente é liberado para correr e fazer academia. Somente com aproximadamente 6-8 meses de pós-operatório autoriza-se o retorno ao esporte desde que evolução seja satisfatória.

Consulte sempre um ESPECIALISTA para obter um diagnóstico correto e o melhor tratamento.


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André Manoel Inácio

Médico Ortopedista – Cirurgia do Joelho

CRMPR 24271 / TEOT 12627 / RQE 16814

41. 3319-7818 / 99134-0023

contato@andreinacio.com.br


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